No dia 4 de Janeiro de 1929, há 80 anos, Guilherme de Faria buscou a morte, íntima companheira da sua vida e da sua poesia.
Nasceu em Guimarães, onde também Portugal nascera, e morreu no mar, com apenas 21 anos, onde tantas vezes naufragámos.
Alma, enfim descansa
Na desesperança.
Alma, esquece e passa:
Dorme, enfim segura
Dessa última graça
Que é toda a ventura.
E à Saudade em flor
Que o teu sonho lindo
Perfumou de amor,
Diz-lhe adeus, sorrindo…
Que Ela há-de escutar-te,
Pálida, a entender-te!
E, no espanto enorme,
Sonhando envolver-te,
Triste, há-de embalar-te
– «Dorme… dorme… dorme…» –
Como a adormecer-te.
Guilherme de Faria
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