30.7.09

Museu é coisa triste

poesia é biblioteca universal


a arte é um louco crescente

o psicopata nunca distinguiu um quadro a óleo

de um arroz de pato


os homens não inventaram o linho

(hão-de vir contar)


museu é coisa triste

ontem revisitei Afmach


...


no centro planetário a recepcionista tem bom sorriso

assim que assina meu corpo com luz verde

vou pelo corredor das estrelas festejar meus vinte e sete anos-luz


...


Segundo a análise de um Louco

o interior da Alma

é um caroço erótico que se vai cobrindo

de pele

florescentemente boreal


...


A perfeição é um barco desiquilibrado

o homem insiste em navegar e lançar as redes


Depois da onda rebentar

despe-se a camisa e abraçamos nossos filhos

que se desprenderam do anzol


...


amanhã decido se vou ou não entender este cogumelo


...


Na pele formam-se mosaicos. arte rupestre do silêncio. escavado pela orgia do tempo

que quando nu se transforma leva água para a sede dos animais


...


Amanhã será mais um grito

mais uma variz à superfície


e um feno da madrugada

a lembrar que é Setembro


Se canto não morro

Se morro logo canto


...


A solidão não é um bicho estranho.

envelhecer é um tipo descontraído que troca anéis de ouro por conhecimento


de que vale uma guerra santa se os santos estão cravados nas paredes?

de que vale a palavra se as sílabas morrem ao sair da boca?


fundei uma revista que por falar de amor de amor de amor foi vandalizada.

dos papéis queimados sobrou-me este: capricorniano. vítima de lua cheia. inexplorável.

queres guardá-lo ou preferes esperar pelo encarnar da Primavera?


...


Na provisória cal dos afectos

Entende-se a expressão marítima do poente


As crianças inventam bússolas

Com origem nos rochedos


Misturam a cor viva do mar com dialectos

electrizantes

e falam de sereias que visitam quartos

como quem inventa uma nova Páscoa


...


É para lá que vamos

Disse o peixe do meu aquário


Consta-se que a vida roda em si mesmo

Que o açucar vem de uma planta

Que o céu é um mar completo a marear no silêncio

Que deus é um palerma se se


Não liguem ao peixe do meu aquário

Há muito que ele nada de costas


...


Esta paisagem: esta pedra oceânica: deslumbramento igual ao interior do sossego

Um desenho nocturno vestido de fogo


Esta paisagem nua: granito desfeito no ante-poema marmóreo

Lá em baixo: um marinheiro a pulsar inúmeros nortes

sonhando contrafeito

(n)o espesso mar:

uma tela não autografada.

O mar

a casa

o milagre da nascente

os sítios onde morremos todas as noites : nossos corpos irremediavelmente cansados pós- poema

1 coments: