6.11.09

e haviamos de ter o arado para rasgar nossos caminhos
de sonhar tão inabaláveis que a terra transpirava música
e os dias de primavera não teriam cápsulas
para escorregar melhor na garganta

mas depois veio o inverno
e a falta de lenha
ao que o meu corpo desprendeu-se do teu
como um cristo a separar as águas

e deixámos promessas nas folhagens
que mais tarde leriamos
assim que tu soubesses ler, e eu escrever

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