É branca a imaginação da terra
e perante ela curvo-me e poiso a fronte
como um plantador de magnólias
28.8.09
26.8.09
neste quarto alugado sinto a pulsação dos prédios, o crescer dos muros para o ceú, as borboletas que não aguentam a distância de um anão. e caem sobre a terra como limões secos e vazios. eu olho e penso que nada existe para lá do chão, que água e fogo são alucinações. são deuses mascarados. ou até mesmo resíduos de paixões. ou pode ser tudo isso numa só jarra que mais tarde beberemos. santa é a minha vontade de renunciar o mundo. de me ferrar enquanto escrevo.
lembro: eu era uma casa assombrada. nela não havia nada. nem pó nem flores nem esqueletos nem nada. talhei nas paredes a minha psicobiografia e vi a extensão do meu grito. escadas que desciam e não se subia, roupas de inverno a esperar que venham corpos. e tomara à minha cabeça ser uma tocha iluminada para entender essas roupas de inverno. como um incrédulo renasci. fundei a minha habitação, os meus monges, as minhas coisas belas e profanas.
nasci num quarto às escuras igual ao interior de um fruto. a minha mãe tinha um ventre bem arquitectado, poderoso como uma transparência e nele percorri cidades inteiras, provei leguminosas e sismei com verdes andorinhas. quando crescer evitarei remédios para a calma, lerei poemas e pronto: um riacho progride na dor da minha encosta, e eis-me: absoluto, tal boi puxando a paisagem para dentro da moldura.
17.8.09
uma história sem história
queria eu contar uma história sem história, uma história verdadeira que seja mentira, uma história dum casamento começa no dia da morte ou vice-versa. ou algo impossivel que se torne bem claro, aí pensei: vou fazer uma história sobre um homem e uma mulher que se gostam. mas logo perdi o entusiasmo em contar essa história porque o homem tinha boca mas não falava vai daí que era dificil inventar diálogos.
depois surgiu a ideia de fazer uma história sobre o aquecimento da terra mas, como tenho lido pouco sobre o assunto pensei: é melhor não. sei, pelo que já li, que numa história convém que haja ladrões, polícias,
padres, prostitutas,
o mau-da-fita,
o salvador e se possível um cavalo para o personagem principal dar à sola.
não sei se reparou mas eu nesta coisa de fazer de conta estou à procura de uma história, que podia ser a sua ou minha. a minha não porque tenho dívidas no fisco e posso pecar por falar de mais. preferia falar da sua vida. que acha? por mim tudo bem, estou disposto a perder meia hora a descortinar um pouco da sua vidinha mediocre.
desculpe, não interprete isto como um insulto, se você souber um pouco de literatura verá que em nada lhe tenho contra, sabe, a imaginação nem sempre tem dias favoráveis, olhe como hoje por exemplo, eu para aqui a narrar banalidades e você perdendo o seu tempo na expectativa que daqui saia algum proveito.
lamento desiludi-lo mas daqui não levará nada. nem história nem frases mágicas para desvendar mistérios. isto aqui é linguagem de tasco reles, frases sem gramática, ideias balofas, sem pó de sentimento, sem meninas a convidar para beber um copo.
é a vida caro leitor.tem de haver de tudo, não é o que diz o povo na sua culta ignorância? também eu podia estar no brasil a beber água de côco,
a apanhar sol nas trombas,
a catrapiscar uns biquinis,
mas não, como vê eu não saio da sepa torta, ando de frase em frase sem regra nem obediência, de cá para lá sem tonalidade sem sequer um sol apontado à mais pequeninha palavra. as histórias não se fazem do jeito que você pensa, que julga, que é só chegar aqui e pumba, já está a história feita? nãa, temos que ser duros neste ofício de narrativa lotadas de buracos, desviar o pensamento para não resvalarmos no próximo parágrafo.
tudo parece fácil mas não é, ou melhor é fácil mas é só para quem tem tempo e algum talento. calculo que neste momento esteja a ferver tal cafeteira no lume, a espumar de raiva só porque eu, escritor com ataques de nervos, não lhe vou contar uma história e também porque o quero aqui amarrado a este texto que num futuro será queimado pelos meus críticos.
já agora antes de se ir embora, acredita no destino? acredita que nós os homens temos os dias traçados? imagine se em vez de estar aqui a perder tempo, está aqui ganhando tempo e evitando dessa forma que algum mal lhe aconteça mas que não acontece porque está precisamente aqui e aqui está em segurança.pode parecer um quanto estúpido este texto mas olhe que não, ele há coisas bem piores do que o que vou acrecentando nestas linhas tortas e vazias de contúdo, nesta casa feita com mais areia do que cimento.
desmoronar-se de repente? não acredite nissso, está bem projectado , faltam é as licenças.
não tenha problemas, mais lixado estou eu quando os intelectuais de gabardine lerem este texto e soltarem suas línguas bífidas em busca do melhor palavrão para me rebaixar ao limite mínimo dos literatos sem vintém.vou em 2786 caracteres e, que foi que eu disse? nada! sabe...no fundo é bom estar consigo, eu aqui deste lado a desenrolar palavras e você desse lado a tentar descobrir o anagrama. faça como eu, finja de conta que, faça por ser feliz e deixe lá a sua vizinha em paz. se você foi um dos que chegou ao fim desta maratona de palavras, dou-lhe os meus parabéns. dê-me um abraço!...mas olhe lá, estou sempre atento à dupla intencionalidade.
7.8.09
4.8.09
Caros leitores poetas e amigos de todas as raças e nações, venho por este meio dizer-vos o quão triste estou.
Ontem, pelas 22:30, hora de portugal continental, estando eu bem alapadinho no sofá vendo um talk-show no hot canal, de boca cheia de pipoca, quando, a emissão foi interrompida para uma notícia de útima hora: o desaparecimento do cão do sócrates!
Há muito que não se ouvia uma tragédia assim. Nem quando a queda das torres gémeas.
ao saber da tristérrima notícia, o parlamento reuniu-se numa sessão extraordinária e de imediato foi dado o alerta vermelho para que as buscas se realizassem, já que, o cão do sócrates, é para todos nós a coqueluxe da nação.
As autoridades pularam para o terreno com as suas sirenes em fúria. Colocou-se ainda a hipótese de a Alquaeda estar metida no assunto, mas logo se pôs esta questão fora de hipótese uma vez que o cão do sócrates, segundo vários opinadores, nutre simpatias pelo camelo do bin laden.
Todos os portugueses especaram de frente ao televisor na esperança que as coisas voltassem à normalidade. Os operadores de câmeras da SIC e TVI andaram à batatada pelas ruas lisboetas na ganância de ver qual deles o mais rato e o primeiro a encontrar o cão do sócrates. As ruas estavam escuras e não se via cavaco.
Quarteirões mais adiante, lá para os lados do hemiciclo, o cavalo do francisco louçã mais o burro do ministro da defesa metiam os seus focinhos onde eram chamados, mais concretamente, patrulhando urinóis públicos e parques infantis.
O cão do sócrates é um bicho indefeso, sem categoria para fazer jus das suas garras, inclusive houve um sábado de manhã que o macaco do paulo portas fugiu da jaula e deu em cima do bichano do sócrates, que o deixou com uma ferida aberta e inconsciente uma boa meia hora.
Na altura não deram muita importância ao caso, nem tãopouco abriram inquérito para averiguar se no meio da luta existiram outros tipos de malícias, já que todos sabem que o macaco do portas tem queda para o vale tudo menos arrancar olhos.
Dado o impasse das buscas, a comitiva socialista estava de trombas, pois sabem diante mão que se der como certo o desaparecimento do cão do sócrates pode pôr em risco as próximas eleições legislativas. As horas iam-se e não havia progressos. Nem mesmo o morcego do oliveira e costa, que é especialista ver melhor do que os outros, até mesmo interior de bolsos, não via a ponta de um corno.
Os portugueses uniram-se nesta nobre causa, e cada qual à sua maneira sairam à rua, tingidos de solidariedade, para achar o animal perdido. Tudo era vasculhado, desde atrás dos pinheiros (já gora, vocês sabem onde fica a parte de trás de um pinheiro?, é no lado onde a gente caga!); passando a pente fino museus arquelógicos até mesmo em casa de putas em serviço.
Tudo era palmilhado à mínima. Só assim é que o quadrúpede do sócrates haveria de ser encontrado, se possível vivo para não manchar a história de um partido.
A imprensa televisiva relatava todos os passos do caso com mestria, excepto quando o josé rodrigues dos santos largou os microfones e saiu a correr dos estudios com a cadela da sua prima, conhecida pelo seu sofisticado faro de longo alcance, que, salvo erro, faz parte do paquete da nossa querida GNR.
Com o nervosismo a aumentar, o governo decidiu atribuir uma recompensa a quem primeiro achasse o cão do sócrates que, segundo fontes próximas de não sei quem não sei que mais, foi visto na madragoa a dar duas dentadas na galinha da nela ferreira leite que a deixou com uma grande contusão. Tadinha!
A interpol, a judiciária, o fbi, os boinas verdes, detectives particulares, bufos reformados, todos accionaram os seus sistemas de alerta.
Cortaram ruas, ninguém podia entrar ou sair da cidade, os consumidores de coca viram-se à nora, o josé cid perdeu o comboio para o apuramento do festival da canção e estava a fritar miolos, trânsito parado, lojas arrombadas,
pretos brancos e amarelos aos murros,
ciganos com máquinas de flippers às costas, candidatos a bissexuais a arrombar vitrines de sex-shops. Estava tudo em pantanas!
A lili caneças deu à sola de uma clínica de estética com as tripas na mão. Um caos.
Se o cão do sócrates fosse encontrado vivo seria certo dois dias de feriado nacional, com direito a entremeadas feitas a partir da porca da ministra da educação.
O túmulo da amália foi encontrado aberto, deduziu-se que também ela se juntou à causa. propagandistas pelas ruas, de megafone em punho com o slogan: ajudem a encontrar o cão do sócrates! as pessoas entristeciam a cada minuto, os operáros de uma fábrica de panelas foram mandados para casa, nestes moldes não havia condições para paneleirices.
Transmissões em directo de suicídios, de peregrinos que prometiam à santa, repórteres na rua, nas gráficas já se imprimia a letras gordas os cabeçalhos do desaparecimento, tomara a deus que tinta não se acabe, há muito para dizer e contar. Mais do que na morte do michael jackson.
Os cronistas atiravam culpas ao partido da oposição, que tinham avisado que mais tarde ou mais cedo iria acontecer o pior. Vários bruxos catedráticos reuniram-se numa mesa de búzios, e nada. O dia a fazer-se, e nada.
O cão do sócrates foi desta para melhor afirmavam os mais fanáticos religiosos.
Era cerca das onze manhã quando pela escadaria do parlamento surgiu num andamento de vivaldi, o cão do sócrates. Houve quem falasse em milagre.
Houve quem fosse a correr dar duas esmolas a um pobre ao saber que ele estava ali, vivinho da silva.
Logo se fez aparato em volta do cão do sócrates, não contendo os populares em dar mimos e festejos ao animal, e este, sem perceber puto do que estava a acontecer.
Mas, em dois minutos breves ficou a saber os porquês das gentes ali e suas peocupações.
O cão do sócrates que, apesar de ser perito em alta-finança, ignorou e continuou a subir a escadaria do palácio de belém até aos seus aposentos caninos, e pensou lá com o seu rabo: já gora um gajo não pode ir a Vigo comprar caramelos que fica tudo em pulgas!
Ontem, pelas 22:30, hora de portugal continental, estando eu bem alapadinho no sofá vendo um talk-show no hot canal, de boca cheia de pipoca, quando, a emissão foi interrompida para uma notícia de útima hora: o desaparecimento do cão do sócrates!
Há muito que não se ouvia uma tragédia assim. Nem quando a queda das torres gémeas.
ao saber da tristérrima notícia, o parlamento reuniu-se numa sessão extraordinária e de imediato foi dado o alerta vermelho para que as buscas se realizassem, já que, o cão do sócrates, é para todos nós a coqueluxe da nação.
As autoridades pularam para o terreno com as suas sirenes em fúria. Colocou-se ainda a hipótese de a Alquaeda estar metida no assunto, mas logo se pôs esta questão fora de hipótese uma vez que o cão do sócrates, segundo vários opinadores, nutre simpatias pelo camelo do bin laden.
Todos os portugueses especaram de frente ao televisor na esperança que as coisas voltassem à normalidade. Os operadores de câmeras da SIC e TVI andaram à batatada pelas ruas lisboetas na ganância de ver qual deles o mais rato e o primeiro a encontrar o cão do sócrates. As ruas estavam escuras e não se via cavaco.
Quarteirões mais adiante, lá para os lados do hemiciclo, o cavalo do francisco louçã mais o burro do ministro da defesa metiam os seus focinhos onde eram chamados, mais concretamente, patrulhando urinóis públicos e parques infantis.
O cão do sócrates é um bicho indefeso, sem categoria para fazer jus das suas garras, inclusive houve um sábado de manhã que o macaco do paulo portas fugiu da jaula e deu em cima do bichano do sócrates, que o deixou com uma ferida aberta e inconsciente uma boa meia hora.
Na altura não deram muita importância ao caso, nem tãopouco abriram inquérito para averiguar se no meio da luta existiram outros tipos de malícias, já que todos sabem que o macaco do portas tem queda para o vale tudo menos arrancar olhos.
Dado o impasse das buscas, a comitiva socialista estava de trombas, pois sabem diante mão que se der como certo o desaparecimento do cão do sócrates pode pôr em risco as próximas eleições legislativas. As horas iam-se e não havia progressos. Nem mesmo o morcego do oliveira e costa, que é especialista ver melhor do que os outros, até mesmo interior de bolsos, não via a ponta de um corno.
Os portugueses uniram-se nesta nobre causa, e cada qual à sua maneira sairam à rua, tingidos de solidariedade, para achar o animal perdido. Tudo era vasculhado, desde atrás dos pinheiros (já gora, vocês sabem onde fica a parte de trás de um pinheiro?, é no lado onde a gente caga!); passando a pente fino museus arquelógicos até mesmo em casa de putas em serviço.
Tudo era palmilhado à mínima. Só assim é que o quadrúpede do sócrates haveria de ser encontrado, se possível vivo para não manchar a história de um partido.
A imprensa televisiva relatava todos os passos do caso com mestria, excepto quando o josé rodrigues dos santos largou os microfones e saiu a correr dos estudios com a cadela da sua prima, conhecida pelo seu sofisticado faro de longo alcance, que, salvo erro, faz parte do paquete da nossa querida GNR.
Com o nervosismo a aumentar, o governo decidiu atribuir uma recompensa a quem primeiro achasse o cão do sócrates que, segundo fontes próximas de não sei quem não sei que mais, foi visto na madragoa a dar duas dentadas na galinha da nela ferreira leite que a deixou com uma grande contusão. Tadinha!
A interpol, a judiciária, o fbi, os boinas verdes, detectives particulares, bufos reformados, todos accionaram os seus sistemas de alerta.
Cortaram ruas, ninguém podia entrar ou sair da cidade, os consumidores de coca viram-se à nora, o josé cid perdeu o comboio para o apuramento do festival da canção e estava a fritar miolos, trânsito parado, lojas arrombadas,
pretos brancos e amarelos aos murros,
ciganos com máquinas de flippers às costas, candidatos a bissexuais a arrombar vitrines de sex-shops. Estava tudo em pantanas!
A lili caneças deu à sola de uma clínica de estética com as tripas na mão. Um caos.
Se o cão do sócrates fosse encontrado vivo seria certo dois dias de feriado nacional, com direito a entremeadas feitas a partir da porca da ministra da educação.
O túmulo da amália foi encontrado aberto, deduziu-se que também ela se juntou à causa. propagandistas pelas ruas, de megafone em punho com o slogan: ajudem a encontrar o cão do sócrates! as pessoas entristeciam a cada minuto, os operáros de uma fábrica de panelas foram mandados para casa, nestes moldes não havia condições para paneleirices.
Transmissões em directo de suicídios, de peregrinos que prometiam à santa, repórteres na rua, nas gráficas já se imprimia a letras gordas os cabeçalhos do desaparecimento, tomara a deus que tinta não se acabe, há muito para dizer e contar. Mais do que na morte do michael jackson.
Os cronistas atiravam culpas ao partido da oposição, que tinham avisado que mais tarde ou mais cedo iria acontecer o pior. Vários bruxos catedráticos reuniram-se numa mesa de búzios, e nada. O dia a fazer-se, e nada.
O cão do sócrates foi desta para melhor afirmavam os mais fanáticos religiosos.
Era cerca das onze manhã quando pela escadaria do parlamento surgiu num andamento de vivaldi, o cão do sócrates. Houve quem falasse em milagre.
Houve quem fosse a correr dar duas esmolas a um pobre ao saber que ele estava ali, vivinho da silva.
Logo se fez aparato em volta do cão do sócrates, não contendo os populares em dar mimos e festejos ao animal, e este, sem perceber puto do que estava a acontecer.
Mas, em dois minutos breves ficou a saber os porquês das gentes ali e suas peocupações.
O cão do sócrates que, apesar de ser perito em alta-finança, ignorou e continuou a subir a escadaria do palácio de belém até aos seus aposentos caninos, e pensou lá com o seu rabo: já gora um gajo não pode ir a Vigo comprar caramelos que fica tudo em pulgas!
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