Caso raro, mas acontece. O homem comia-se a si mesmo. Sem trabalho, sem dinheiro, sem ajudas de ninguém, o homem, aos bocado, lá se ia desaparecendo, comendo-se. No outro dia foram as duas orelhas para o tacho que, após bem condimentadas, meteu-as dentro de um pão e comeu-as. Isso segurou-lhe o estômago por dois dias. Depois comeu meia perna. De seguida, meio braço. Como se pode perceber, o homem ia desaparecendo. As pessoas no fundo admiravam-no, pela coragem, pela sua luta de sobrevivência.
Chegou um dia em que só tinha a cabeça e o tronco mas, como não tinha mãos para fazer o que quer que fosse, chateava-se. Tanto se chateava tanto se chateou, que acabou por morrer de ansiedade.
Belo retrato daquilo em que a humanidade se vem tornando, Flávio. Irónico, mas sagaz e muitop lúcido! A propósito, alguma vez viste "Into the Wild", de Sean Penn, com´banda sonora do Eddie Vedder, dos Pearl Jam? Pois,, vale bem a pena.
ResponderExcluirUm abraço!