28.5.10

Liguei-lhe para que viesse ter comigo ao lugar A, que fica na rua G, lá para os lados de K onde existe um restaurante muito bom a servir um vinho que faz libertar todos os ômegas guardados.
Ela depressa se despachou, retocou suas pinturas sem grande precisão e meteu-se no carro e veio.
A meio do caminho disse-me estar a chegar e que desse modo podia já pedir aquele arroz de pato à casa.
Quando chegou, a travessa da comida tinha sido colocada na mesa nem há um minuto. Sentou-se como que um nada incomodada pelo atraso, pois havia parado na loja T para comprar um verniz e um par de brincos feitos de marroquinaria.
Conversámos sobre X, Y, Z mas principalmente sobre o assunto que nos fez sentar,
frente-a-frente, numa mesa, nesta noite em que a lua é um O perfeito.
Chegamos a um acordo bilateral e, para vincar o acordo, demos um cumprimento de mãos. Acabada a refeição, cada um pegou no seu casaco das costas da cadeira. Vestimo-los e saímos calmamente para a rua.
Como é normal, a rua tem dois sentidos. Eu tomei o sentido da direita e ela, o da esquerda. Uma troca de olhos foi o bastante para nos despedirmos ali e cada um seguir o seu destino, porventura para casa, onde, mais tarde, nos havemos de novo encontrar e aí sim, depois de atravessarmos o pequeno corredor da sala, na cama do quarto, esquecer por umas horas todas as incógnitas.

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