28.5.10

Qualquer descrição tem o poder de iludir, de disfarçar o que é mais concreto. O amor é o amor e, por muito que se ande às voltas, seja ele poeta, alquimista ou filósofo comum, o amor vai dar sempre ao amor.
Toda a gente sobrevive com a espinha partida mas, sem amor, dificilmente se levanta. Ao contrário daquele que corre atrás de si mesmo, o amor tem caminho próprio, embora com inícios de solidão, acaba por dar em luzes, sopros de luz a sabermos onde podemos colocar os pés e as mãos e, o que é miragem, deixa de o ser.
O amor, perde a sua beleza quando é centro das atenções, pois ele é como um fado que pede silêncio e recusa o aplauso. Para amar basta chegar. Partir, nunca é o bastante.

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