30.4.10

- …era um Homem que vomitava homens. E não me lembro de mais nada.

29.4.10

Não nos adiantemos na prosa que o poema pode vir a seguir

27.4.10

Somos vítimas de vítimas de vítimas
Leste-me uns versos do Aleixo como quem derrete bronze e olha os poetas tristes em meu redor puxando arados dentro das páginas

25.4.10

25 de Abril, sempre!

24.4.10

                     ! é !


é com amor que se faz o amor
é com água e mistério que se faz um Tejo
é com um poema que se levanta voo
é com poesia que se acende um ventre
é contigo que nasce um bom dia!

22.4.10

                                          ~ 

Aquele que conduz o gado por mares adiante
até desfazer a linha da paisagem
é o mesmo homem que planta a flor
com a sua própria vida

19.4.10

                                           

Não atireis culpas para o céu, porque Deus ainda é uma criança

                                         

17.4.10

também eu queria ser equilibrista, ter um pé em cada mundo,
dar um salto bem alto e cair nos braços abertos de uma mulher
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser ilusionista, tirar poemas de uma cartola,
dar asas ao que sou, e regressar à minha infância
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também eu queria ser anjo e não ter mãos para bater punhetas
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também eu queria ser gambozino, saber que existo, embora em lugar nenhum
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16.4.10

Não descures nunca a ignorância,
que ela pode servir um dia para completar a tua sabedoria

15.4.10

Não te aconselhes perante os deuses; que a galinha olha para o céu e também chora

Ninguém faz falar o silêncio, assim como ninguém cala uma velha

O silêncio queima; e as feridas não mentem

Os homens de verdade nascem da terra e morrem no ventre de uma mulher

13.4.10

É uma contradição: a peixeira ser um bom bife.

12.4.10

Penso-te como o homem de asas a calcular o chão,
o pescador a recolher memórias das brumas,
na equitação das aves sobre o tempo doutro tempo

Penso-te com as duas mãos a começar o amor,
na respiração dos vulcões que sonham os dias pela calada,
nos pedaços de trigo que levo à boca

Penso-te em abril junho e dezembro,
na casa com a lua cheia por cima,
ao nascer da ninhada de gatos

Penso-te de pulso firme à tatuador
neste primeiro andar do beliche
neste pouco que sou
mas que não faz mal
porque penso-te como pensa o cego
a ler o rosto de uma mulher cega

9.4.10

É branca a pele do poema
assim como os sonhos
que nele nos fazem jazer

É santa a mãe-poesia
que amamenta com ternura
cada poeta que nasce
cada poeta que morre
nos braços de uma palavra

7.4.10

Ama; E sê feliz nessa foda

6.4.10

do meu próximo livro: "Bússola"
a 15 de julho 2010 na feira do livro de Barcelos

                                          *
O sol é uma enorme cabeça que nos espreita.
E a terra é um punhado de elementos vagos
Eu respiro porque me dão ordens para respirar.
O silêncio é um grito invertido. Que escutais vós quando me calo?
Haverá sempre uma vírgula a mudar o sentido?
Que raios de almanaques são estes que nos deram para devorar?
Vamos todos contar até três e começar tudo de novo?
Se choro é porque o mar também chora. É um direito meu!
Deus criou-nos sem nunca nos ter criado
Não me façam voltar atrás nas orações
Eu vejo o poeta roendo capítulos da sua infância
Se a lógica existe, por que nunca pariu um economista?
Uma porta ali. Outra acolá. Por detrás delas um mundo.
Mas que mundo? Se o mundo nem a si se pertence.
Que me diz que eu não sou?
Há verbos demasiados. Pisados como frutos
Conta-me como foi erguer somente a pata de uma sombra
Não vedes que eu não entendo de arquitecturas planas!
Nem de magnólias que caminham sôfregas
O sonho pode ser um lugar. Onde se cruzam abcissas.
Amanhã estou cá, deixa-me deslumbrar mais um bocado
neste vestido magoado. Que é o silêncio. Que é circunflexo memorial.

Que vejo eu senão a minha própria distância!

3.4.10

A realidade não é o que é ; Os verdadeiros Homens nascem, crescem e morrem nos livros.