29.4.10
27.4.10
25.4.10
24.4.10
22.4.10
19.4.10
17.4.10
também eu queria ser equilibrista, ter um pé em cada mundo,
dar um salto bem alto e cair nos braços abertos de uma mulher
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser ilusionista, tirar poemas de uma cartola,
dar asas ao que sou, e regressar à minha infância
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser anjo e não ter mãos para bater punhetas
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser gambozino, saber que existo, embora em lugar nenhum
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
dar um salto bem alto e cair nos braços abertos de uma mulher
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser ilusionista, tirar poemas de uma cartola,
dar asas ao que sou, e regressar à minha infância
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser anjo e não ter mãos para bater punhetas
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
também eu queria ser gambozino, saber que existo, embora em lugar nenhum
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
15.4.10
13.4.10
12.4.10
Penso-te como o homem de asas a calcular o chão,
o pescador a recolher memórias das brumas,
na equitação das aves sobre o tempo doutro tempo
Penso-te com as duas mãos a começar o amor,
na respiração dos vulcões que sonham os dias pela calada,
nos pedaços de trigo que levo à boca
Penso-te em abril junho e dezembro,
na casa com a lua cheia por cima,
ao nascer da ninhada de gatos
Penso-te de pulso firme à tatuador
neste primeiro andar do beliche
neste pouco que sou
mas que não faz mal
porque penso-te como pensa o cego
a ler o rosto de uma mulher cega
o pescador a recolher memórias das brumas,
na equitação das aves sobre o tempo doutro tempo
Penso-te com as duas mãos a começar o amor,
na respiração dos vulcões que sonham os dias pela calada,
nos pedaços de trigo que levo à boca
Penso-te em abril junho e dezembro,
na casa com a lua cheia por cima,
ao nascer da ninhada de gatos
Penso-te de pulso firme à tatuador
neste primeiro andar do beliche
neste pouco que sou
mas que não faz mal
porque penso-te como pensa o cego
a ler o rosto de uma mulher cega
9.4.10
7.4.10
6.4.10
do meu próximo livro: "Bússola"
a 15 de julho 2010 na feira do livro de Barcelos
*
O sol é uma enorme cabeça que nos espreita.
E a terra é um punhado de elementos vagos
Eu respiro porque me dão ordens para respirar.
O silêncio é um grito invertido. Que escutais vós quando me calo?
Haverá sempre uma vírgula a mudar o sentido?
Que raios de almanaques são estes que nos deram para devorar?
Vamos todos contar até três e começar tudo de novo?
Se choro é porque o mar também chora. É um direito meu!
Deus criou-nos sem nunca nos ter criado
Não me façam voltar atrás nas orações
Eu vejo o poeta roendo capítulos da sua infância
Se a lógica existe, por que nunca pariu um economista?
Uma porta ali. Outra acolá. Por detrás delas um mundo.
Mas que mundo? Se o mundo nem a si se pertence.
Que me diz que eu não sou?
Há verbos demasiados. Pisados como frutos
Conta-me como foi erguer somente a pata de uma sombra
Não vedes que eu não entendo de arquitecturas planas!
Nem de magnólias que caminham sôfregas
O sonho pode ser um lugar. Onde se cruzam abcissas.
Amanhã estou cá, deixa-me deslumbrar mais um bocado
neste vestido magoado. Que é o silêncio. Que é circunflexo memorial.
Que vejo eu senão a minha própria distância!
a 15 de julho 2010 na feira do livro de Barcelos
*
O sol é uma enorme cabeça que nos espreita.
E a terra é um punhado de elementos vagos
Eu respiro porque me dão ordens para respirar.
O silêncio é um grito invertido. Que escutais vós quando me calo?
Haverá sempre uma vírgula a mudar o sentido?
Que raios de almanaques são estes que nos deram para devorar?
Vamos todos contar até três e começar tudo de novo?
Se choro é porque o mar também chora. É um direito meu!
Deus criou-nos sem nunca nos ter criado
Não me façam voltar atrás nas orações
Eu vejo o poeta roendo capítulos da sua infância
Se a lógica existe, por que nunca pariu um economista?
Uma porta ali. Outra acolá. Por detrás delas um mundo.
Mas que mundo? Se o mundo nem a si se pertence.
Que me diz que eu não sou?
Há verbos demasiados. Pisados como frutos
Conta-me como foi erguer somente a pata de uma sombra
Não vedes que eu não entendo de arquitecturas planas!
Nem de magnólias que caminham sôfregas
O sonho pode ser um lugar. Onde se cruzam abcissas.
Amanhã estou cá, deixa-me deslumbrar mais um bocado
neste vestido magoado. Que é o silêncio. Que é circunflexo memorial.
Que vejo eu senão a minha própria distância!
Assinar:
Postagens (Atom)