29.6.10

Nada é o bastante
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na matemática dos loucos 2 + 2 = Àrvore
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qualquer rio tem horas que é mar
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na cabeça o chapéu, na mão uma luva, no nariz os óculos, e na boca as palavras
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para quando homens a emergir da terra com o aspecto de uma acácia?
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quando pensas que pensas, um grito abre um caminho em dois
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deixa que o azul te condene
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para sempre filhos de pais que foram filhos de pais
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é inútil falar-se de utilidade em tempos de aves
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até quando o sol quiser
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pega num copo pela asa, e voa
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aclara a água nocturna com pequenos grandes poemas, opera o corpo com linhas musicais e torna-te Daniel Faria
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aqui andamos, aqui vamos nós ao nosso encontro
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invísivel é a costela que nos pariu!
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28.6.10

Incendeia o Coração das Pedras
e arde como um Lírio numa extensa Sombra
Lembra-te que:
nunca uma geometria dará o Gosto ao Vinho!

22.6.10

Na casa do poeta o silêncio é a mulher-a-dias
e o poema é a Vida, a sempre e interna Vida

Enfim, o fim

Só não prego o evangelho pelas portas por falta de tempo e honestidade. Cada um deve comer pelas suas próprias mãos e ninguém tem nada que ir levar deste género alimentício à boca dos outros. Além de que, tenho mau feitio.
Sou uma mistura de raiva com descontentamento.
Os caminhos foram feitos para caminhar, portanto, cada um que avance para o lado que quiser. Estou farto de que me venham com ideologias todo-o-terreno.

Só me deixo enganar pela verdade. A existência para mim é um pau de quatro bicos. Comer, beber, foder e depois escrever um poema é o meu lema. Acreditar é tornar-nos loucos e impacientes. Esperamos que a montanha cresça na mão de uma criança.

A Irene foi-se. Foi bom enquanto durou. Apaixonou-se por um cliente que lhe dava boas garantias futuras. E foi-se. E eu de novo à estaca zero. Aprecio os recomeços. Tenho a sensação de que a obscuridade se torna mais visível. Segundo a minha data de nascimento e hora, a astrologia diz tratar-se de uma ruindade.

Leio livros porque não há carne no frigorífico. Engana-se a fome e a porra da solidão. Há dias em que as noites são bem melhores. A sensação que tenho é que, se me cortarem as pernas, ainda assim eu corro, eu correrei para lá do que sou. As minhas qualidades são inqualificáveis.
Falo de mim porque à minha volta não existe ninguém. Eu só, neste quarto que fede a silêncio e sémen. Mesmo cá em baixo sinto-me no topo do mundo. A realidade é um sonho. E o sonho é uma história mal contada.
Acredito em sereias mas elas não acreditam em mim. É um dilema, este, o de acreditar em livros. Para felicidade tenho o wisky barato. Para tristeza basta-me a sede constante. Meto ambas num saco e tiro à sorte. Hoje calhou-me a felicidade. Estou safo só de pensar nessa possibilidade. Ter costas direitas não significa que seja gente séria. Ouvi dizer que sou surdo e mudo. É preciso ser-se necessário.

Do que falo só há provas no que escrevo.
Sim e não são talvez.
Coragem é pensar.
Pensar é fazer florir rosas brancas num tabuleiro de xadrez.
A guerra começa onde termina.
Não apostes tudo no sim. Deixa fluir o sol. Eu amo porque conheço-lhe a dor. Daqui ali faz-se um filho.
À parte de tudo somos nada. À parte do nada somos outro tanto.
Tenho deus algures no coração do coração.
Tecto e chão são os meus melhores amigos. Sou triste e isso alegra-me. A minha posição no mundo é de guarda-redes.
Só não vendo ideias porque não as tenho. Sou um presumível assassino da morte. Matei a morte.

Não pensar é ouvir-se. Fui Cristo e buda e não me lembro de mais nada e, a sensação que tenho é que ainda dói. Na fúria do mar alto o pensamento tem altos e baixos. Atrás de mim estou eu outra vez. Se o amor fosse digital, amaríamos em série? Felicidade é quando duas moscas batem palmas. Olhos nas orelhas não falta quem. Se a mentira desse subsídios, estávamos podres de ricos.

Juro que além da verdade só digo mentiras. Encontro-me perdido. Achei-me para me perder outra vez. A base de tudo é quem está lá em cima. Nada vezes nada é igual a política. O cigano rouba porque tem vergonha de pedir.
O homem é como a serpente, fabrica o seu próprio veneno. Grande é aquele que tem noção que há muito para crescer. A vida tem encontros imediatos com a morte.

Apesar de tudo foi só uma marca no joelho. Quem tem ferros sabe a tábua que isso é.
Deus alimenta-se de almas, logo, é guloso. No estreito de mim, alarga-se a dúvida. Se, só morre quem está vivo, então, só vive quem está morto. Alguém também é ninguém. Ninguém também é gente. Por vias das dúvidas estamos certos. O bicho come a carne do morto porque não há salgadinhos. É estranho eu não me estranhar.
É azul o verde pranto. A mentira é como a loiça, parte-se, e não foi ninguém. Sonha que ainda a luz não vem abaixo. A vida inteira, a morte incompleta. O que envelhece é a luz. O bom seria partir para o regresso.

Às vezes acontece não haver acontecimentos. O exacto nunca soube como nasceu. O cavalo corre, não pela sua felicidade, mas sim pela sua ignorância. Sejamos menos cavalos. O silêncio é o melhor remédio para a idiotice.
A Irene foi-se embora. Podíamos ter sido felizes. Mas faltava o melhor: a poesia.
Estamos perto de chegar a lado nenhum. Roubar o pão não significa matar a fome. O amor é doce mas sem sexo torna-se amargo. Se não tens para onde ir, desagua num livro. Eu sempre soube que não sabia. Ama primeiro num segundo. Dinheirinho faz dinheiro, e sangue faz sangue.

No circo não fui mais que um simples homem-bala. Em tempos pertenci a um gang de poetas mal inspirados. Agora faço dança de salão numa folha branca. Na verdade, em termos legais e logísticos, estou em ponto-morto. Se a vida tivesse pedais eu podia ir mais longe. Enfim, o fim.

19.6.10

Saramago morreu, agora quem manda sou eu!

Ele escrevia
escrevia, escrevia
quanto mais escrevia
mais queria escrever

Foi para Espanha
Espanhar os ares
tendo como pilar
uma tal de Pilar

Por lá ficou
não sei bem se meses ou anos
ou talvez fosse apenas uma Caminhada de Elefante

Fez nascer um evangelho
e, Levantado do Chão, Caim surgiu,
reclamando direitos de autor

Quem não achou piada
foi Fátima
que mais tarde se veio revelar
mandando tiros para o ar
onde um deles acabou por acertar em alguém

O Homem partiu
não a perna nem o baço
mas partiu para as suas Intermitências
fugindo à estrada principal da Cova de Sta. Íria

Comunista de fé
viciado em palavras
nobel em palavras cruzadas
nunca soube o que era o Spam

O escritor morreu
levando consigo o homem
deixando a mulher com tudo
inclusive os Danacol
e os postais do Fidel na Serra Leoa

Precisam-se de novos talentos
de preferência de baixa estatura
e que ignorem que um tal Lobo Antunes existe

Enfim, o Sara\mago morreu
e agora,
quem manda aqui
SOU EU!

18.6.10

Só me deixo enganar pela verdade

14.6.10

Há que ser carne e espírito a alimentar um Deus imaterialista
Ganhar o pão e transformá-lo em palavra poema
Ser água para humedecer as vozes conjuntas
E imaginação na lavoura da realidade

Há que ser buraco para inventar harmonias
Dizer que a noite é apenas uma pequena dor
Ser-se livro que termine num sossego de cal
Haver amor para a cura de alguém
Ter pássaros no pensamento do pensamento
Provar da terra nos vai guardar

Há que entornar música sobre os homens vazios,
Multiplicar rosas brancas com ciências humanas
Ter uma costela a sonhar com esplendor
Um rio sem margens de dúvidas
E haver uma criança que nos apavore, lembrando-nos:
Que toda a vida não é a vida toda

7.6.10

Devorou o Sol mas nem por isso o seu coração ficou mais quente; Faltou-lhe pimenta e canela

6.6.10

Eu queria morrer para perceber todos os caminhos,
fazer contas à dor como faz o taberneiro
e subtrair solidão às horas que passam por dentro do Rossio

Contar aos meus irmãos que a morte canta como gente grande,
e tem árvores para subir, e um penedo barrigudo,
cavalos para evitar monólogos,
e refrescos para os dias mais quentes do ano

Quem diz que morrer é um caso de vertigem?
Que ao olhar lá de cima o coração inventa desculpas
Quem disse que para lá chegar é preciso ir num atrelado,
Ter uma tristeza a não passar fome,
Ou autorização para assistir a comédias dramáticas?

Será a morte uma casa aberta por cima, sem pássaros na gaiola?
Uma mulher que não dá à luz, mas que nos adopta lumemente?
Será a morte uma fogueira ou um poema em que nele se afoga?

Quero saber se por lá a moda também existe,
Se o vento constipa os sonhos à varanda

Ai se pudesse desamarrar-me da vida por umas horas,
Montar um barco a pedais e ir,
Ao encontro do desencontro, achar o que nunca se perdeu
Ser livre como um pássaro nas Américas
Levado pelas mãos de cinquenta mil homens

Olhar o mundo sem ser olhado
Nadar em espelhos, voar sobre rios
E cair no vazio tão cheio de homens nascidos como flores,
vindos da terra perfumada,
de cabeça fria, a morder todos os insectos.


Entrar nessa gigante solidão de mãos cheias,
De nariz empinado, alimentado para sete dias
Como um peregrino a apagar distâncias a suor, cânticos, lamentos,
Levando aos ombros a montanha possível
As pedras para espremer em vinho
E um poema a servir de pão e abrigo

Queria viver ao contrário daquilo que foi e voltará
Nascer velho e morrer criança
Conhecer a minha mãe solteira
Vê-la grávida de mim
Dizer: olá como estou
Ver a dor que foi entrar na vida com a ajuda de ferros
Chorar por não saber mais do que o mínimo
Pensar que choro e riso sonham para o mesmo lado

Quero da morte o seu sorriso de alicate
O seu cinismo a dizer que ainda vive
A sua paisagem nua e crua
A sua tristeza que para muitos é uma alegria
O seu soro amnésico e cristalino

Quero com a morte aprender como se vive
Respirar com uma flor entre os dentes,
sem sangrar,
feito animal que desconhece que morrer existe

Haver a possibilidade infinita de andar reptilmente sobre o seu pescoço
Escrever-lhe com letras vivas e reluzentes
Redondilhas maiores para cantar até dizer chega
E cair de cansaço sobre a palha do seu umbigo

Não sei se a morte é uma mulher de cabelos pelos ombros
Ou se tem longas tranças para que se possa subir
Sei lá se nela os poetas atiram-se das janelas para viverem
Ou se a queda é para o ar mais denso

Ó morte, onde andas tu? Mostra ao menos o teu colar de ossos
Ou a tua saia que mandaste fazer no cabo do mundo
Ó morte, ri-te! Mostra os teus dentes verdadeiros
Quero ser em ti um turista, pôr-me ao lado das estátuas,
Tirar retratos coloridos, dizer-te:
- Entre os homens o teu nome para sempre viverá!

Pudesse hoje ou amanhã morrer por um bocado
O tempo de chorar todas as pedras preciosas
Mas que não valem nada
Não servem nem rei nem pajem
Haver os dias assim, um silêncio sempre à espreita
Olhar todas as ruas que vão dar à minha casa
sabedor que as maçãs também nascem das laranjeiras
E assim louco e destemido, poder regressar à vida e tornar a morrer
Como uma oxálida nas mãos de umas outras mãos
A nomearem o amor como único fio no tear dos Homens