30.7.10
26.7.10
PRECISO DE UMA MULHER para estar comigo entre as nove e as onze
Alguém com pronúncia pouco pronunciada
Uma espécie de Greta Garbo com Frida Kahlo
Ou Alice Vieira com Natália
A nossa Natália Correia que um dia me levou ao período Futurista!
Tem alguma ideia?
Pode ser uma mulher meia calada que eu pôr-lhe-ei palavras na boca
Uma com cheiro a pinho
Com longas tranças de escamas de peixes
Se tiver tronco de árvore não faz mal
Eu próprio lhe darei forma
As minhas mãos sempre foram invejadas
Basta entender de anéis solares
Preciso de uma mulher para coser meus pensamentos
De preferência da cor do meu telhado
Que é branco em cima de um fundo negro
Aviso já que não é fácil
Só autodidacta consegue!
Achará que eu quero violar essa mulher
Danados!
Malditos!
Tenho poemas por acabar
Tenho o sangue prestes a esgotar
A muralha da China vê-se lá do alto
Outro dia confirmei isso
Sem me levantar da cadeira
Quero essa mulher para guiar minha mão que (in)segura a caneta
Quero essa mulher em trajes que me façam entender uma bandeira!
Quero o sol e a lua na mesma embalagem!
O terror e a lucidez parados numa esquina!
Ou em banhos de espuma!
Entre as nove e as onze ardo em fosfóricas saudades
Um agrafador pisca-me o olho com naturalidade
Uma cópia de Dali denuncia que está vivo
A água da torneira a ir pela bacia abaixo
As luzes das minhas ideias com as mãos na cintura
O som
Os sons
As magníficas correntes do ar
O cesto de papéis achando a vida uma ova
A ferida que eu não curei abrigando répteis
Penso num A e sai-me um O
Ó que terras mal acamadas! Não vedes que eu desabo!
Dirão agora que mereço essa mulher
Coitado deve participar em antologias
Escolher poemas da fase da parvalheira
Jogar flippers e mostrar à garina o quanto vale
Odeio a simplicidade!
Odeio as complicações!
Entre eu o nada não existe intervalo
Sempre escutei Vinícius de Moraes antes de adormecer
É bem melhor que uma velinha acesa num copo de azeite
Os homens morrem
A arte fica
Eu hei-de morrer sem saber o que me resta!
Quem está doente
Doente morrerá
Quem está de saúde
Terá boas amantes
Quero agora essa mulher
Entre as nove e as onze
De preferência entre as nove e as onze da noite
Assim sabe melhor o salmão
Posso traduzir Dostoievski
Embora não percebendo nada de russo
Vou-me embora antes que a tabacaria encerre
São quase nove
Vêm aí nove meninas
Cada uma com nove meninas em cada mão
Qual delas saberá mudar a água aos peixes?
Alguém com pronúncia pouco pronunciada
Uma espécie de Greta Garbo com Frida Kahlo
Ou Alice Vieira com Natália
A nossa Natália Correia que um dia me levou ao período Futurista!
Tem alguma ideia?
Pode ser uma mulher meia calada que eu pôr-lhe-ei palavras na boca
Uma com cheiro a pinho
Com longas tranças de escamas de peixes
Se tiver tronco de árvore não faz mal
Eu próprio lhe darei forma
As minhas mãos sempre foram invejadas
Basta entender de anéis solares
Preciso de uma mulher para coser meus pensamentos
De preferência da cor do meu telhado
Que é branco em cima de um fundo negro
Aviso já que não é fácil
Só autodidacta consegue!
Achará que eu quero violar essa mulher
Danados!
Malditos!
Tenho poemas por acabar
Tenho o sangue prestes a esgotar
A muralha da China vê-se lá do alto
Outro dia confirmei isso
Sem me levantar da cadeira
Quero essa mulher para guiar minha mão que (in)segura a caneta
Quero essa mulher em trajes que me façam entender uma bandeira!
Quero o sol e a lua na mesma embalagem!
O terror e a lucidez parados numa esquina!
Ou em banhos de espuma!
Entre as nove e as onze ardo em fosfóricas saudades
Um agrafador pisca-me o olho com naturalidade
Uma cópia de Dali denuncia que está vivo
A água da torneira a ir pela bacia abaixo
As luzes das minhas ideias com as mãos na cintura
O som
Os sons
As magníficas correntes do ar
O cesto de papéis achando a vida uma ova
A ferida que eu não curei abrigando répteis
Penso num A e sai-me um O
Ó que terras mal acamadas! Não vedes que eu desabo!
Dirão agora que mereço essa mulher
Coitado deve participar em antologias
Escolher poemas da fase da parvalheira
Jogar flippers e mostrar à garina o quanto vale
Odeio a simplicidade!
Odeio as complicações!
Entre eu o nada não existe intervalo
Sempre escutei Vinícius de Moraes antes de adormecer
É bem melhor que uma velinha acesa num copo de azeite
Os homens morrem
A arte fica
Eu hei-de morrer sem saber o que me resta!
Quem está doente
Doente morrerá
Quem está de saúde
Terá boas amantes
Quero agora essa mulher
Entre as nove e as onze
De preferência entre as nove e as onze da noite
Assim sabe melhor o salmão
Posso traduzir Dostoievski
Embora não percebendo nada de russo
Vou-me embora antes que a tabacaria encerre
São quase nove
Vêm aí nove meninas
Cada uma com nove meninas em cada mão
Qual delas saberá mudar a água aos peixes?
17.7.10
poema de pedra e flor
Oh não, sou um velho malcriado
não pago a conta da luz
não cheiro como devia cheirar
não planto nem semeio nada
tenho inveja a quem não tenha inveja
a quem não peca nem deixa pecar
tenho gula de nada querer, nada enfeitiçar
nem uma mulher de muletas para que caminhe
nem tão pouco daquele homem a cuspir a dor
Sou um velho sem bússola e sem caminhos
de vez em quando dá-me uma dor no peito
mas isso é dos livros que ando a ler
entre marés
Desço na vida, subo na morte
A fantasia é um bosque no meio de um bosque
Ai de mim se conseguisse partir o sol em três
e cantasse orgiasticamente ao luar do luar
Ó desejo, és tudo o que olho e não vejo!
Ó Deus, tanta saudade e nenhuma lembrança!
Não publico livros desde 1997
Assassinei vinte mil leitores com a palavra amor
e a outros tantos faço corar
pedindo que amem e que sejam felizes nessa ganância
Levaram-me o coração para provar que sou bandido
Espetaram-lhe a noite mais noite que a noite
Compararam o sangue ao leite materno
Adiaram-me o desejo de ser pedra
mas, como só acharam poemas e cigarros,
fecharam-me num livro
Agora, neste quinto andar da maresia,
repouso a cabeça num poema,
e adormeço sem estar agarrado a nada.
Excepto a cabeça no poema,
a ganhar flor
não pago a conta da luz
não cheiro como devia cheirar
não planto nem semeio nada
tenho inveja a quem não tenha inveja
a quem não peca nem deixa pecar
tenho gula de nada querer, nada enfeitiçar
nem uma mulher de muletas para que caminhe
nem tão pouco daquele homem a cuspir a dor
Sou um velho sem bússola e sem caminhos
de vez em quando dá-me uma dor no peito
mas isso é dos livros que ando a ler
entre marés
Desço na vida, subo na morte
A fantasia é um bosque no meio de um bosque
Ai de mim se conseguisse partir o sol em três
e cantasse orgiasticamente ao luar do luar
Ó desejo, és tudo o que olho e não vejo!
Ó Deus, tanta saudade e nenhuma lembrança!
Não publico livros desde 1997
Assassinei vinte mil leitores com a palavra amor
e a outros tantos faço corar
pedindo que amem e que sejam felizes nessa ganância
Levaram-me o coração para provar que sou bandido
Espetaram-lhe a noite mais noite que a noite
Compararam o sangue ao leite materno
Adiaram-me o desejo de ser pedra
mas, como só acharam poemas e cigarros,
fecharam-me num livro
Agora, neste quinto andar da maresia,
repouso a cabeça num poema,
e adormeço sem estar agarrado a nada.
Excepto a cabeça no poema,
a ganhar flor
16.7.10
Bússola, livro de Flávio Lopes da Silva, sobre a apresentação
Como foi anunciado, ontem, 15 de julho, foi a apresentação do meu livro chamado Bússola, onde familiares, amigos meus e alguns leitores puderam-se inteirar um pouco mais sobre o meu trabalho literário e motivações no âmbito da escrita.
Para falar sobre o livro Bússola e dar-lhe luz, esteve o meu amigo escritor e ensaísta Paulo Borges, que tão bem soube dignificar este meu mais recente trabalho, fazendo-o com sensibilidade e sabedoria, deixando nas pessoas que o ouviam atentos e serenamente uma vontade crescente em conhecer as palavras deste livro que em silêncio repousam. Livro este que, após o lançamento, deixou de me pertencer e passou a ser de todos nós. Também o actor e declamador Armindo Cerqueira esteve brilhante ao dizer excertos do livro com a sua voz que sempre enche uma sala.
Quero aqui agradecer de coração ao Paulo Borges pela sua vinda a Barcelos, pelo seu contributo genial, pelo abraço, pelo rasto que deixou quando partiu sem ter partido. Barcelos também agradece.
Grato também a todos que puderam estar comigo neste momento importante da minha vida, física ou pensamento. À câmara municipal de barcelos um obrigado.Resta-me dizer que espero-vos encontrar noutro livro, noutra viagem, porque ontem foi só um dizer até já.
Obrigado e, façam o favor de me ler!
7.7.10
15 de julho, em Barcelos, na feira do livro, lançamento do livro: Bússola, euforismos
Venho convidar todos os leitores deste blogue a estarem presentes na apresentação daquele que é o meu quinto livro, cujo título é: "BÚSSOLA,euforismos", a realizar-se na feira do livro de Barcelos no dia 15 de julho pelas 22:00.
Nesta apresentação haverá a leitura de excertos do livro pela voz do declamador e actor Armindo Cerqueira.
Para apresentar a obra terá voz o escritor, ensaísta e filófofo portugûes: Paulo Borges, Presidente da União Budista Portuguesa e da Associação Agostinho da Silva.
No prefácio, Paulo Borges escreveu:
(...)
Tudo o que Flávio escreve vem directamente da inspiração, inquietação e sinceridade – “Diz o que tens a dizer. Nem que tenhas de cuspir a tua própria língua” - de uma consciência nua e sensível aos cumes e abismos da existência e da vida, que os explora intensamente, não se furtando às suas luzes e sombras, ao seu absurdo, drama e tragédia, mas também às suas redenções, mormente por via do amor, da antecipação da morte e da própria poesia, vias instantâneas de fecunda libertação: “Poesia: quando te bebo, descubro um filho dentro de mim”.
(...)
Após apresentação do livro, actuará a recente banda musical (de Barcelos) e meus amigos também: "Sem Terra".
Apareçam!
cumprimentos
flávio lopes da silva
Nesta apresentação haverá a leitura de excertos do livro pela voz do declamador e actor Armindo Cerqueira.
Para apresentar a obra terá voz o escritor, ensaísta e filófofo portugûes: Paulo Borges, Presidente da União Budista Portuguesa e da Associação Agostinho da Silva.
No prefácio, Paulo Borges escreveu:
(...)
Tudo o que Flávio escreve vem directamente da inspiração, inquietação e sinceridade – “Diz o que tens a dizer. Nem que tenhas de cuspir a tua própria língua” - de uma consciência nua e sensível aos cumes e abismos da existência e da vida, que os explora intensamente, não se furtando às suas luzes e sombras, ao seu absurdo, drama e tragédia, mas também às suas redenções, mormente por via do amor, da antecipação da morte e da própria poesia, vias instantâneas de fecunda libertação: “Poesia: quando te bebo, descubro um filho dentro de mim”.
(...)
Após apresentação do livro, actuará a recente banda musical (de Barcelos) e meus amigos também: "Sem Terra".
Apareçam!
cumprimentos
flávio lopes da silva
6.7.10
5.7.10
3.7.10
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