amor, vou com os pássaros. levo os teus olhos juntos com os meus. vou roubar Deus lá ao Longe. e quando voltar. vou querer a terra pelos joelhos. para que o corpo nasça. a florir. como o sonho de uma. criança. no centro da eternidade
31.1.11
29.1.11
26.1.11
18.1.11
Anuncio ao mundo a minha guerra
As minhas palavras de ponta e mola
O meu sangue que não é sangue nem é coisa nenhuma
Os meus poemas imperfeitos mais que imperfeitos
A música que não passou por boca alguma
Anuncio aos céus que saio daqui sem algemas
Que o ridículo aqui sou eu
A abrir portas
A fechar portas
A abrir e a fechar portas
Roubar aos mortos o que a vida nos roubou
Para no fim dizer a cantar e a sangrar
Com as mesmas águas que me fizeram nascer
Que as minhas lágrimas têm direitos reservados
E que nenhum Deus breve (ou tonto)
Pense fazer chuva com elas!
As minhas palavras de ponta e mola
O meu sangue que não é sangue nem é coisa nenhuma
Os meus poemas imperfeitos mais que imperfeitos
A música que não passou por boca alguma
Anuncio aos céus que saio daqui sem algemas
Que o ridículo aqui sou eu
A abrir portas
A fechar portas
A abrir e a fechar portas
Roubar aos mortos o que a vida nos roubou
Para no fim dizer a cantar e a sangrar
Com as mesmas águas que me fizeram nascer
Que as minhas lágrimas têm direitos reservados
E que nenhum Deus breve (ou tonto)
Pense fazer chuva com elas!
16.1.11
7.1.11
Escuta o barco que vai na estrada.
olha como brilha o redondo cio da lua.
demora em mim como um ser quieto.
escreve como quem fode a dor.
escreve a hora que é hora de sonhar.
fala com formas. Se te olho como um número inalcançável ou sonda que abala a terra, é porque existe um verbo que por nenhuma boca passou.sonho-te como um acreditado em OVNIS. como um inocente que se oferece para ser condenado. e vejo-te no princípio agora e sempre, amém. Tocas em mim feito nó cego.
algo inseparável. dois filhos unidos pela cabeça. duas rotas encontradas na curva do joelho. dois sóis feitos com a melhor fazenda do universo.
amor, por que me tocas com incendiária melodia. água benta a ressuscitar o meu nome,
e me desejas como um fruto que a terra ainda não deu?
fala-me do berço de todas as lembranças. do embalo suave da manhã, da casca da noz que nos transporta para lá do que é imortal.
vejo-te, e que isso nunca me cegue.
escuto-te. e que isso nunca me faça perder-te de vista.
És a minha visita logo pela manhã. o santuário onde só eu posso entrar. a luz febril na minha carne.
toco-te em animal(sidão). em flocos de sangue a trespassar as suas margens.
depois com os intestinos, com o coração a pedir mais e mais.
a minha raça aumenta. o meu destino torna-se em bagaço mudo. e expludo em selvática melancolia a desejar-te na oblíqua dor.
no vertical amor de vencer todos os tornados, e rompo o teu corpo com um disparo de neve. e torno-me ateu só de olhar a tua nudez
amor, conta-me as estradas,
manda o silêncio para a noite que o pariu, enterra o ciúme na terra e a terra no ciúme.
diz-lhes que estás a matar e a ser morta.
se tapo todos os silêncios do teu corpo,
é porque o meu clarão é uma música que invade, é algo que o Guinesse Book não registou
nem nunca ouviu falar. porque o meu
tesão tem algo de construtivismo.
e assim, amor, sei que vês estrelas polares no céu da minha boca. e sei que sou um filho da puta que te ama mais do que qualquer outro filho da puta
3.1.11
Daqui até à morte faço contas de beijar muitas mulheres, mexer em
círculos no coração dos dias até obter serenidade, mostrar à paisagem
que por ela sou homem bem constituido. faço contas de beber muito
vinho e rir como um tonto na esquina à espera de si mesmo, somar o
passado com o futuro com um simples poema, fazer as contas à saudade
e partir para o desemprego, abraçar os meus amigos, os amigos dos
meus amigos, mais os que me ignoram no berço da aurora.
Daqui até à morte lerei livros com menos de cinquenta páginas, porque
acima disso a ficção aumenta mais que o sorriso de um jumento. visitarei
a noite na sua fase cantante e terei horóscopo a trabalhar permanentemente.
farei apostas em cavalos de corrida em vez de participar em
cursos de escrita criativa, irei a óperas para ter pequenas mortes consecutivas
daqui até à morte vou jogar no totoloto e rezar para que domingo o benfica
ganhe, serei mais o absurdo dos poetas, sobretudo daqueles que amam à
sombra de uma sombra.
se deus quiser terei muitas páginas em branco para me suicidar e
depois disto que venha de lá o poema com o sangue mais perfeito que
o sangue transparente que escorre da montanha. faço fé de visitar museus e
criticar os renascentistas, dizer-lhes que o futuro é o que se vê e não o que
se imagina, ir a apresentações de livros e, no banco sentado,
comer pêras,
muitas pêras.
daqui até à morte direi coisas importantes aos meus filhos,
outras sem nexo para que demorem a tradução daquilo que sou, pois o que sou,
nem eu imagino. muita fúria hei-de vencer, terei enormes desesperos, sonharei
com a telepatia das pedras, viverei os dias a pulso com uma garrafa de civilização a
meu lado, pesarei os olhos numa balança antes de os lançar à terra, e ter amor,
mesmo patrocinado por uma dor qualquer, terei amor, ainda que da minha
casa ao sol
o caminho seja pelo lado mais curto da vida. daqui até à morte serei tão pouco,
mas no entanto, terei longos diálogos à chuva, para assim, se me restar tempo,
acabar com todo o falso romantismo.
círculos no coração dos dias até obter serenidade, mostrar à paisagem
que por ela sou homem bem constituido. faço contas de beber muito
vinho e rir como um tonto na esquina à espera de si mesmo, somar o
passado com o futuro com um simples poema, fazer as contas à saudade
e partir para o desemprego, abraçar os meus amigos, os amigos dos
meus amigos, mais os que me ignoram no berço da aurora.
Daqui até à morte lerei livros com menos de cinquenta páginas, porque
acima disso a ficção aumenta mais que o sorriso de um jumento. visitarei
a noite na sua fase cantante e terei horóscopo a trabalhar permanentemente.
farei apostas em cavalos de corrida em vez de participar em
cursos de escrita criativa, irei a óperas para ter pequenas mortes consecutivas
daqui até à morte vou jogar no totoloto e rezar para que domingo o benfica
ganhe, serei mais o absurdo dos poetas, sobretudo daqueles que amam à
sombra de uma sombra.
se deus quiser terei muitas páginas em branco para me suicidar e
depois disto que venha de lá o poema com o sangue mais perfeito que
o sangue transparente que escorre da montanha. faço fé de visitar museus e
criticar os renascentistas, dizer-lhes que o futuro é o que se vê e não o que
se imagina, ir a apresentações de livros e, no banco sentado,
comer pêras,
muitas pêras.
daqui até à morte direi coisas importantes aos meus filhos,
outras sem nexo para que demorem a tradução daquilo que sou, pois o que sou,
nem eu imagino. muita fúria hei-de vencer, terei enormes desesperos, sonharei
com a telepatia das pedras, viverei os dias a pulso com uma garrafa de civilização a
meu lado, pesarei os olhos numa balança antes de os lançar à terra, e ter amor,
mesmo patrocinado por uma dor qualquer, terei amor, ainda que da minha
casa ao sol
o caminho seja pelo lado mais curto da vida. daqui até à morte serei tão pouco,
mas no entanto, terei longos diálogos à chuva, para assim, se me restar tempo,
acabar com todo o falso romantismo.
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