30.4.11

Um poeta faz-se em silêncio, como os amantes,
entre o tragicamente humano e a alegoria. faz-se 

com o mesmo grau de loucura que o amor, entre a pele 

e a espada, e haver uma deusa 
que traga no peito o inesgotável.
um poeta faz-se com sangue e alegria, noites ébrias
e serpentinas, debaixo das buganvílias, em cima das 

buganvílias, se não houver buganvílias, inventa-as, 

como inventa o céu e a almofada 

onde mais tarde ressuscitará. um poeta faz-se a caminho 

do amanhã, a erguer sombras do fundo,
em sinal de que o amor pode ir mais longe que o mar. 
faz-se com restos de alegria, a procurar-se nos rodapés 
das enciclopédias, a correr
atrás dos relâmpagos e dos animais fantásticos, 
sonhando em candeias,
com o coração em bagos para repartir.

28.4.11

quando for grande quero ter a força masculina do céu,
cair de bruços sobre as suas águas e nadar até à infância.
beberei mais vinho que o avô Pires e direi à senhora noite
que sou louco por ela, tão louco, que no seu útero farei a casa
com terraço para a vida. O destino que não me lixe porque o 
poema está no meio de nós, e o amor jamais será à prova de 
bala ou ementa do dia. o amor será a morada de muita gente, 
mas da gente que ateia fogo às mãos para lavrar e depois grita
alto: ó Deus para que te quero! quando for grande cantarei até
haver chão, direi aos rios que os caminhos são seres danados que
temos de compreender, e o sol: é o coração, é a ave que parte.
Precisamos do silêncio para dar
que falar, da amnésia do vento
que tudo arrasta, excepto ilusões.
precisamos de ouvir cantar o
mais louco dos loucos e saber que
na configuração da dor somos iguais.
e sentarmos à mesa com deuses,
palhaços, duendes, e no poema saber
que o amor é uma roldana de viva-luz,
é o faroleiro que se abre em flor. precisamos
de uma taça cheia de música
- abandono para sonhar -
de prostitutas à janela a escreverem cartas
de amor, de sítios, muitos sítios,
nuvens altas, passageiras,
porque o caminho, ah o caminho,
começa na primeira pedra a sangrar.

23.4.11

Já se pode votar nos Troféus Milho-Rei (II edição), Jornal Barcelos Popular, para as diversas categorias culturais e desportivas.
 
Aqui vai o link: 
http://www.barcelos-popular.pt/trofeusmilhorei

Eu, Flávio Lopes da Silva, estou nomeado para Mérito cultura na literatura.

Apoiem-me
abraço a todos
flávio
Os livros, se por um lado são a nossa eterna infância, por outro, conduzem-nos para uma sábia velhice.

Há máquinas que substituem o oxigénio, mas nada substitui o livro.

O único terrível efeito da leitura é a sabedoria.

Se possível, gostaria de morrer com uma over dose de livros.

Da mesma forma que não concebo o mundo sem música, também não concebo o mundo sem livros.

Livro vezes livro é igual a Humanidade.

Ao ler, vemos a vida, o universo, as casas e os animais a três dimensões, 4 dimensões, 5 dimensões, enchemos os olhos, enchemos as visões, enchemos o coração e voamos.

Ler é conversarmos com nós próprios, e nada melhor que começar o dia com uma boa conversa.

Ler torna-nos pessoas melhores.

O livro mostra-nos o seguimento para outros mundos. Mas lembre-se que, só está autorizado quem lê!

Ler, é o melhor investimento que podemos fazer enquanto vivos.

Nos livros, não busques apenas fantasias, busca também realidades. Lá, saberás como começou o mundo, até onde chegou o império romano, ou, como é que nos homens ardem as paixões.

Aquele que mais lê é aquele que tem mais propósitos de vida.

O mundo só acaba quando acabarem todos os livros, portanto, escrever é dar continuidade à vida.

Ama os livros, salva o coração!

Experimente ler, mas faça-o com aquela sensação de que o mundo entretanto pode acabar, e imagine o quanto horrível seria passar toda a morte no escuro.

Ler, deveria ser uma ordem imperativa; assim, quem não lesse, seria condenado a escrever a sua vida em voz alta.

Sê fiel ao livro namorando todas as palavras.

O único tempo perdido na leitura de um livro é o tempo de não aprender.

Leia desde a infância que o tempo se encarregará do resto.

A leitura asa-nos.

A literatura está acima dos Homens.

Todo o livro é uma bússola, e todos nós, somos um caminho entre muitos caminhos.

Para qualquer lado que vás, faz acompanhar-te de um livro. Assim, na esplanada do mundo, nunca estás só.

Sinta o livro na sua mão como ao pegar num bebé ao nascer.
Sinta o livro em suas mãos como se fosse a mulher que ama. Acredite que terás surpresas.

Fixe esta ideia: Eu, sem livros seria outra coisa, um não sei o quê, um sei lá bem. Estou-me grato.

Podes casar-te com um livro atraente e sedutor que nunca serás traído.

A nossa vida é mais curta que a de um livro, no entanto, se beberes da fonte dos livros, terás os dias prolongados.

Ler, não é nada mais nada menos que ressuscitar

Só os livros têm todas as respostas para as perguntas que queres fazer.


Todo o livro fala, basta que lhe perguntemos.

Ler, é como amar o próximo.

O problema da leitura é que ela tão real que ainda há homens que não acreditam.

Experimente trocar uma partida de futebol por um livro. Posso-lhe já adiantar que você é o grande vencedor.

Quem nunca descobriu a literatura nunca se descobriu a si próprio.
 

Sem livros, o mundo seria uma música morta.

Amai os livros assim como eles nos ama.

Ao ler, corrigimos a nossa própria vida.

Nós, Homens, somos aquilo que lemos.

Imagina sempre que és um livro. Gostarias de viver eternamente numa prateleira?

As pessoas que não lêem são aquelas que têm medo de se confrontarem com a sua ignorância.

Os maiores concorrentes das companhias de aviação são os livros. Saibam que, outro dia, fui a Istambul sem me levantar da cadeira da sala.

A literatura é o veículo mais rápido do mundo. Em duas ou três linhas saltamos continentes.

As bibliotecas, são os únicos espaços em que nos perdemos e nos achamos

Vê na literatura o teu mantimento

Quantos livros são precisos para se fazer um homem?
                                  (pausa)
E quantos homens são precisos para se fazer um livro?

A realidade não é o que é. Os verdadeiros Homens nascem, crescem e morrem nos livros!

17.4.11

quando era rapaz novo, os homens e as mulheres eram-me feios,
as árvores só serviam para nos esconder a pila, os rios eram a
transparência do sono, as velhas sonhavam sem serem vistas, 
e a morte tinha um toque rosáceo. quando era rapaz novo, os poetas
punham-se às escuras para ver que cor era o mar, o meu pai falava com 
os pássaros e cada prostituta tinha uma história sobre bonecas. os automóveis 
eram todos eróticos, a primavera tinha um sabor amargo, o amor 
caminhava cego e, quem o escrevesse, morria. agora sou rapaz velho e, 
tudo que era continua a ser, excepto o porquê das árvores.

13.4.11

Ao aperceber-se que, sempre que tocava flauta, um pequeno pé de flor 
rasgava-lhe o peito para nascer, foi então que o homem, de rua em rua, 
fez da sua dor a sua empresa.

11.4.11

Sem ti, os pássaros não fazem sentido no ar,
a terra é uma tonta, o sol um palerma
e deus é um empregado de limpeza.

9.4.11


Disse-te, vou encher-te de beijos até que tenhas uma morte perfumada.
Tu abriste a boca, e engoliste docemente a minha vida junto com a tua.
sabíamos que o teu pai podia chegar, enquanto
eu te mostrava o amor, as calças de domingo e
a palavra nova que li num livro muito grosso.
e tu sonhaste inclinada para a liberdade até
que o silêncio engravidasse e abrisse mãos ao
caminho. sabíamos que os filhos nascem por ali
porque éramos os dois a pensar por debaixo da
tua saia de nuvem. e sonhámos tanto que
construímo-nos, janelámos a casa do sempre,
ainda que soubéssemos que o teu pai podia
chegar e que a vida é um abismo em flor.

8.4.11

Morríamos até às onze da noite, depois fugíamos cada um para sua casa. eu deitava-me na cama, quieto, feliz como um homem gordo. tu, talvez fizesses o mesmo, ou talvez risses para as paredes. ou simplesmente dormisses sobre a minha morte. seja como for, até às onze da noite de todas as noites éramos onze vezes maiores que um Deus a parir o seu mundo. talvez pela certeza das mãos, ou do silêncio, que depois de dissolvido na terra, fazia crescer novo dia. seja como for, depois das onze da noite fugíamos cada um para sua casa, porque o amor ainda era uma criança.

4.4.11

...nada somos, nada seremos. 
deixamos apenas em mero espaço 
o que fomos e o que podíamos ter sido