29.10.10

morrer é tornarmo-nos lúcidos

26.10.10

andou anos a fugir do tempo; e outro tanto a persegui-lo. esta é a biografia de um homem que atirava os olhos para a paisagem
quis lavar a alma como se lavasse a roupa. usou a ironia em vez de pau-de-sabão. usou todos os argumentos em vez de tira-nódoas. conclusão: não obteve a transparência

25.10.10

para entrares na casa do poema-mãe
tens de construir versos com alicerces de solidão
tirar os sapatos como numa mesquita
olhar os espaços brancos
e os silêncios que fazem teias
a partir do centro
para depois sonhar com o amor
como sonha o filho de ninguém

20.10.10

- por favor, queria um copo cheio de música
- música não temos, mas posso servir-lhe uma peça de teatro que estreou ontem
- humm, teatro não, deixa-me demasiado tenso
- e que tal molhar os lábios num poema?
- sim, pode ser. já agora, deite-lhe duas pedras de gelo
corria atrás das tempestades porque achava que lá no meio das tempestade ia ouvir deus a falar. do nada deixou de correr atrás das tempestades porque achava que no meio das tempestade não ia ouvir deus a falar. agora, corre atrás das tempestades porque acha que correndo atrás das tempestades corre atrás da sua própria voz

13.10.10

a mulher está parada, não se mexe, não faz o mínímo movimento toráxico,
não levanta o braço para que a acudam. não seria de estranhar que ela estivesse morta.
ou a tentar ser pedra. está assim há mais de duas horas.
há quem diga que há mais de duas horas. o que é certo é que a mulher está parada
e muita tanta gente parou para ver a mulher parada, que afinal só está a apurar o seu ouvido

8.10.10

- quanto a vale a imaginação?
- um punhado de terra
- então arranje-me vinte mil hectares!

7.10.10

O amor é uma idiotice! - Disse o idiota.

4.10.10

nunca interpretes um poema como quem faz investigação científica.
a lua também só se conhece à distância e nem por isso deixa de ser bela

1.10.10

- Pai, como se mede a força de um homem?
- Pelo número de livros que já leu, meu filho